Artigo

Categoria

Temas

Compartilhe

Uma reportagem publicada pela revista Exame no mês de janeiro deste ano anuncia: “2017 é o ano dos carros elétricos “populares” – não para o Brasil”. Segundo o canal, entre 2017 e 2020, praticamente todas as grandes montadoras vão lançar um modelo ou relançar uma versão existente com mais autonomia e na faixa dos 30 mil dólares (já com o subsídio do governo). Você viu no post sobre desenvolvimento de tecnologias para veículos elétricos que os modelos têm se mostrado uma excelente alternativa para diminuir a emissão de gases nocivos. Além de sustentável, há vantagens para o empresário e o consumidor final. Inclusive, a tecnologia já é forte em outros países, mas ainda tem uma representatividade tímida no Brasil.  Ouvido pela reportagem, o alemão Dieter Zetsche, presidente mundial da Daimler, disse que “nos próximos dez anos, automóveis, ônibus e caminhões passarão por mais mudanças do que no último século”. Mas, se as vantagens da utilização de carros e outros veículos elétricos já foi comprovada, o que ainda falta para a inserção dos veículos elétricos no Brasil? É o que abordaremos nesse texto.

Os desafios dos veículos elétricos no Brasil

Apesar da visão otimista sobre o avanço da tecnologia para veículos elétricos em nível global, a reportagem não vê boas perspectivas para o Brasil. A matéria ressalta falta de incentivos governamentais, a principal barreira de acordo com a Exame. Segundo o Ministério dos Transportes, o país possui 1,7 milhão de quilômetros de estradas, quase 13% delas pavimentadas, mas esse fato em si não é suficiente para fomentar um mercado que depende de incentivos. É preciso políticas de incentivo e metas nacionais para serem alcançadas a nível, por exemplo, de redução de carros a combustão ou emissão de gases de efeito estufa. A Noruega, por exemplo, é um país que não possui grandes rodovias ou crescimento expressivo de frota, mas é destaque na inserção da tecnologia porque possui uma das mais eficazes políticas de incentivo para a compra de veículos elétricos.

Veja outros fatores decisivos para a consolidação dos veículos elétricos no Brasil:

Redução dos custos

O alto custo é o principal fator que vem à mente quando se pensa na inserção de veículos elétricos no Brasil, tanto para infraestrutura que comporte a demanda, sendo energia ou rodovias, quanto dos próprios veículos e sua comercialização. Para adquirir um modelo hoje, é preciso desembolsar no mínimo R$170 mil por um modelo importado. Mas isso tende a mudar. O avanço das pesquisas em relação às baterias deve tornar o produto mais viável e escalável. Isso porque a bateria representa cerca de um terço do custo do carro. Ainda segundo a reportagem da Exame, o preço das baterias poderá cair quase 50% nos próximos seis anos.

Apesar disso, não há vantagens governamentais suficientes que sirvam como incentivo para as empresas inserirem de vez os veículos elétricos no Brasil – principalmente no que diz respeito à infraestrutura para essa nova demanda na rede elétrica, mas há algumas iniciativas. O BNDES possui, desde 2005, incentivos especiais para a compra de ônibus e produção de veículos elétricos de passageiros para exportação. A tributação para importação, que antes era de 35%, hoje é zero para veículos totalmente elétricos. Sobre o pagamento de IPVA, segundo Associação Brasileira do Veículo elétrico (ABVE), já há isenção nos seguintes estados: Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe e alíquota diferenciada em três: São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. É pouco, mas à medida que a sociedade e os empresários passem a pressionar o governo, a tendência é que mais incentivos sejam oferecidos no país, como a redução de IPI, por exemplo, que iniciou no final de 2015.

Infraestrutura de carregamento de veículos elétricos

Basta observarmos a grande extensão e complexidade das rodovias brasileiras para compreendermos a dificuldade que haverá em suprir a demanda por abastecimento de veículos elétricos no Brasil. A autonomia de um carro elétrico ainda não é comparável à de um veículo movido à combustível, o que demanda corredores de abastecimento elétrico por todo o país. A Noruega é o país com a maior proporção de veículos elétricos em relação ao número total de veículos (cerca de 2%). Por lá, a explosão na penetração desse tipo de veículo se dá principalmente por conta de uma alteração no regime de impostos. O governo estabeleceu que a quantidade de tributos atribuídos aos veículos vendidos seria proporcional ao quanto de emissões de poluentes eles geram. Isso se deu pelo fato de o país, na Conferência do Clima, em 2012, ter colocado sua meta de emissão de CO2 por passageiro de um novo carro como 85 g/km, para 2020. A média, no ano da conferência, era de 130 g/km.

O que esperar do da inserção de veículos elétricos no Brasil?

Com incentivos governamentais e a conscientização da população haverá um importante mercado, boas oportunidades para as empresas que desejem investir e incentivos em pesquisas para que tenhamos formas cada vez mais eficientes de explorar essa tecnologia. A Certi, por exemplo, além de outras iniciativas, tem incentivado a inserção dos veículos elétricos no Brasil por meio do projeto Eletroposto. Em parceria com a Celesc, estão sendo instalados pontos de carregamento em locais estratégicos. O objetivo é entender o impacto que a inserção dos carros elétricos no mercado vai causar na rede elétrica para preparação da infraestrutura necessária para atendimento desta demanda, se antecipando e contribuindo para o entendimento e definição dos regramentos futuros relativos à este novo mercado – como por exemplo ANEEL. Caso esse objetivo seja alcançado, as perspectivas são excelentes. Basta observarmos os bons exemplos vindos de outros países e acreditarmos no potencial da pesquisa e da indústria no nosso país.
Quer saber mais sobre veículos elétricos no Brasil e as novidades do setor? Continue acompanhando nosso blog.

Diretor Energia Sustentável CERTI

certi@certi.org.br

Artigos Relacionados

13 de Fevereiro, 2017/ Bioeconomia

Tecnologias para veículos elétricos: o que temos estudado sobre Mercado e Infraestrutura

Muito se fala sobre o desenvolvimento de tecnologias para veículos elétricos. Eles têm se mostrado uma boa alternativa quando o assunto é diminuição da emissão de gases nocivos ao meio [...]