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Compreender a responsabilidade social e ambiental no contexto das empresas pode ser mais complexo do que parece à primeira vista. O uso de indicadores econômicos convencionais (ex. Produto Interno Bruto – PIB), pode proporcionar uma imagem distorcida para o desempenho econômico. Tais medidas não refletem a extensão com a qual as atividades de produção e o consumo podem estar afetando os recursos naturais. O crescimento futuro pode ser comprometido se o impacto sobre estes recursos atingir níveis críticos.

Segundo um cálculo feito pela Global Footprint Network (GNF), que monitora a Pegada Ecológica das cidades do mundo, se continuarmos no mesmo ritmo, serão necessários 1,5 planetas para sustentar nosso estilo de vida. No longo prazo, este cenário fica ainda pior: mantendo o modelo atual, em 2050 precisaremos de aproximadamente 3 planetas. Por isso, desenvolver ações que tenham como foco o bem comum e a manutenção dos recursos naturais não é apenas uma atitude associada à visibilidade, mas também de sobrevivência.

É neste contexto que as empresas devem ir além da responsabilidade social e ambiental, compreendendo-os como ativos geradores de valor e não apenas como passivos a serem mitigados/compensados. É necessário prever impacto positivo sistêmico e enxergar a questão com toda a sua complexidade.

3 motivos para ir além da responsabilidade social e ambiental

Preocupar-se constantemente com a conservação dos recursos naturais é vital para as empresas. Os consumidores estão cada vez mais exigentes e bem informados. Consequentemente, admitem cada vez menos deslizes e há mais conscientização sobre as consequências da exploração sem controle (tanto ambiental quanto social). De acordo com estudo da Edelman Goodpurpose, 80% dos consumidores brasileiros comprariam produtos de empresas consideradas responsáveis social e ambientalmente. Complementarmente, 79% dos consumidores no Brasil (71% no mundo) consideram que projetos que protejam o meio ambiente podem ajudar no crescimento da economia.

Sabemos que a responsabilidade social e ambiental  deve estar presente em organizações de todos os tipos, mesmo naquelas em que as atividades fins não geram impactos negativos diretos. Mas será que apenas isso é suficiente? A nova onda de negócios prevê novas formas de buscar oportunidades e gerar impacto social e ambiental positivo aliado à estratégia corporativa das organizações. Na sequência falamos sobre três implicações práticas e consequências imediatas:

Ter acesso a recursos financeiros

Muitos financiamentos e aportes financeiros, de origem pública e privada, têm como requisito de acesso a existência de práticas sustentáveis (associados também a responsabilidade social e ambiental). Mesmo quando não estão claramente descritas, tais exigências são desejáveis, já que podem atuar como diferencial. Há também fontes que exigem que parte do recurso captado seja destinado para negócios que gerem impacto social e ambiental positivo (a exemplo das linhas de Subcrédito Social do BNDES).

Ter problemas ambientais pode ainda dificultar o acesso a crédito. Por isso, se sua empresa precisa ou deseja ter acesso a recursos, é bom começar a atentar para a temática o quanto antes. Sobre esse tópico falaremos com mais profundidade em um próximo texto.

Visibilidade para investidores

Empresas que adotam práticas de sustentabilidade são mais resilientes (enfrentam melhor tempos de crises) e menos voláteis. Em outras palavras, representam investimentos mais seguros para os investidores. De acordo com análise feita pela BM&FBovespa, a rentabilidade média dos fundos de sustentabilidade foi superior ao Ibovespa em todos os períodos avaliados, e a volatilidade (risco) dos fundos de sustentabilidade foi inferior ao do Ibovespa em todas as comparações. Especialmente em tempos turbulentos e instáveis, esta é uma características de peso e bastante desejável.

Oportunidade de Novos Negócios

De acordo com estudo da Accenture e do CEBDS, R$ 150 bilhões é o tamanho do mercado das oportunidades futuras na área de sustentabilidade. Destes, R$ 20 bi estão associados à economia de energia elétrica e combustíveis nos setores de manufatura, transportes e edificações comerciais e públicas; R$ 55 bilhões voltados à economia circular e modelos de negócios inovadores (como product as a service); 18 bilhões relacionados à geração de valor compartilhado a partir de melhor gestão de recursos ao longo do processo de licenciamento ambiental e social de empreendimentos; 52 bilhões – geração de valor compartilhado a partir da estruturação efetiva de programas de desenvolvimento de fornecedores locais.

Caso tenha interesse em conversar conosco sobre o assunto, entre em contato!

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