Falar em 4ª revolução industrial e em indústria 4.0 não é mais novidade em lugares como os EUA e países da Europa, especialmente a Alemanha. Por lá, as tecnologias que proporcionem que as máquinas conversem de maneira efetiva com o mundo virtual já estão bastante avançadas. Em setores em que a inteligência na produção já é realidade, podemos ver o avanço de tecnologias como: IoT, big data e sistemas cyber-físicos. Mas como o Brasil se encaixa nesse contexto?

Dependendo o setor, estamos mais ou menos avançados. Segundo acredita a maioria dos especialistas da CERTI sequer passamos da segunda para a terceira fase industrial. O fato é que para chegar ao patamar de indústria 4.0, ao menos na maioria dos segmentos, precisaremos correr contra o tempo e buscar inspiração. Caso contrário, não alcançaremos a competitividade em alguns setores importantes para a economia do país e perderemos mercado. Acelerar esse processo é o grande desafio. Veja quais são os melhores caminhos para melhorar esta realidade:

Caminhos para que o Brasil alcance a indústria 4.0

Apesar de estarmos um tanto quanto atrasados em relação à 4a. Revolução Industrial, existem oportunidades que devemos considerar para a implantação da indústria 4.0, uma vez que não temos a obrigação do pioneirismo, podemos adotar modelos consolidados e adaptá-los à nossa realidade. Mas, para que isso aconteça, alguns avanços precisam ocorrer necessariamente, entre eles:

Investimento em gestão da informação

Para que as máquinas da indústria 4.0 trabalhem, elas precisam ser alimentadas de informações organizadas e de forma inteligente. Para isso, é preciso que haja bom funcionamento de softwares para gestão de informação, legislação que regule esse fluxo de informações, equipamentos que interajam com a tecnologia e equipamentos com capacidade de interagir entre si. Mesmo que importemos esse conhecimento, deve haver abertura para a implantação, caso contrário a burocracia pode travar os avanços e atrasar o processo.

Investimento em educação

Parece clichê, porém, o investimento em educação não pode deixar de ser citado. Esse é o pilar para o desenvolvimento tecnológico em qualquer país e em qualquer tempo. Destinar recursos para fomento à pesquisa por institutos de ciência e tecnologia e universidades deve ser prioridade, não só porque são essas as principais fontes de inovações que podem elevar o país ao patamar de indústria 4.0, mas também são elas que atuam no desenvolvimento de profissionais para este novo paradigma, que apresenta um requisito de qualificação cada vez mais aprofundado. Uma das premissas para que a indústria 4.0 aconteça é a independência das máquinas, mas isso não pode ocorrer sem a supervisão inteligente de pessoas.

Avanço nas relações de trabalho

Como já mencionamos no item anterior, o profissional da indústria 4.0 precisará ser muito mais qualificado para lidar com a nova tecnologia. Ao contrário do que alguns pensam, investir em uma indústria mais automatizada não necessariamente significa desemprego. Ter indústrias competitivas e com boa representatividade é algo decisivo para a manutenção da existência delas. Portanto, avançar é inevitável. A evolução da relação dos homens com as máquinas pode, a curto prazo, custar algumas demissões, mas não é nada comparado ao impacto que o atraso pode gerar. Em contrapartida, se houver qualificação e oportunidades, as relações de trabalho precisarão mudar. O trabalhador não poderá mais ser visto como mero “apertador de botões” e sim como um gestor de informações. Dessa maneira, as jornadas de trabalho tendem a diminuir, a valorização salarial aumenta e as oportunidade de novos mercados também.

Conscientização dos consumidores

Uma indústria 4.0 necessita de um consumidor com pensamento 4.0; ou seja, se hoje a sensação de ter padrões de consumo monitorados na internet é estranha para muitos, no futuro ela deverá ser vista como algo natural, já que o volume e a qualificação das informações fornecidas tende a aumentar. As roupas fabricadas nessa lógica, por exemplo, poderão ter etiquetas inteligentes que enviam informações para as fábricas sobre preferências de consumo e isso impactará diretamente na fabricação.

Tendo esses pontos em vista, o Brasil pode, sim, chegar ao patamar da indústria 4.0, mas precisa inspirar-se em bons modelos e certificar-se de que está fazendo do jeito certo. O mais importante é que os empresários percebam que esse é um caminho sem volta. Caso o país persista em velhos modelos, acabará sendo engolido pelo mercado internacional.

Diretor do Centro de Processos Produtivos

certi@certi.org.br

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