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Há pouco não conseguíamos imaginar a concepção de uma fábrica com as possibilidades de integração e conectividade que são realidade hoje. É evidente que a transformação total do ambiente fabril depende de investimentos expressivos e de tecnologias que, por ainda não terem aplicação em larga escala, apresentam menor viabilidade. Mas, de um jeito ou de outro, a indústria está em constante  transformação, buscando, cada vez mais, aproximar-se do conceito da Indústria 4.0 ou Manufatura Avançada. Portanto, mesmo que algumas mudanças não sejam viáveis no momento, planejar e preparar as empresas para se adequarem a confecção do futuro é essencial para que a mudança seja sustentável.

Com isso em mente, a CERTI tem realizado estudos e desenvolvido projetos visando a concepção de Indústrias 4.0, realizando projetos de automação e integração, melhorias de processos e preparação para o futuro do parque fabril brasileiro. Neste material, falaremos especificamente do projeto “Empresa de Confecção do Futuro”, realizado pela fundação em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) e Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Senai Cetiqt). O estudo identificou tecnologias que podem ser aplicadas atualmente, elencou pontos de atenção em relação à competitividade a curto prazo e expôs as tecnologias que, possivelmente, serão realidade daqui a alguns anos.

Confecção do futuro: desenvolvimento do projeto

O projeto se desenvolveu em três etapas: Conceituação de uma Fábrica de Confecção do Futuro, Apresentação do conceito ao mercado e a escolha, dentre diversos interessados, de uma empresa para validar a viabilidade de aplicação do conceito gerado anteriormente. Detalharemos, a seguir, essencialmente os resultados da primeira e última etapas, como forma de inspiração para empresários que desejem aplicar o conceito em suas indústrias.

De forma geral, identificamos que as principais tendências e recomendações para as empresas têxteis que queiram se adequar a confecção do futuro são:

Customização em massa

A ideia da customização em massa, como o nome já diz, é oferecer resultados personalizados de forma rápida, escalável e barata. Na prática, isso quer dizer que o cliente poderá ter um produto único, fruto da própria imaginação, em um tempo e com preço equivalentes aos produzidos massivamente. Por mais fácil que seja imaginar essa realidade, a customização em massa depende de profundas mudanças. Em primeiro lugar, é preciso que a cadeia de produção seja completamente integrada, eficiente e acessível. Se, de alguma forma, houver um erro no produto totalmente customizado, o prejuízo da empresa será enorme, uma vez que dificilmente este produto poderá ser revendido a outro cliente. Outro ponto crucial do modelo é a forma em si que as máquinas trabalham. Esses equipamentos deverão ser totalmente ajustáveis para atender às mais diferentes necessidades de cada cliente. Há, também, a preocupação em criar maneiras de orientar o cliente no momento do pedido, para que o resultado final não seja de alguma forma frustrante para ambos.

Manufatura Reconfigurável

Este é um dos pontos críticos e muito necessário nas transformações que nos levam à confecção do futuro. Para atender ao novo modelo de customização em massa, é importante que as empresas tenham capacidade de reorganização de suas linhas de produção de maneira imediata. O objetivo é garantir que qualquer produto possa ser manufaturado de maneira rápida e sem prejuízos ao resultado final. Para que isso seja possível, é importante investir em automação de processos, necessário para aumentar a produtividade e a flexibilidade de produção. Mas, tão importante quanto, é a adoção de metodologias de produção que permitam redução de custos, otimização de estoques e maior eficiência na gestão de informações. O principal deles é o de Lean Manufacturing, ou manufatura enxuta, que preconiza a produção somente quando necessário, com alta eficiência e baixos estoques. O simples fato de observar e questionar frequentemente a forma com que as tarefas são feitas pode ajudar a reduzir os desperdícios e aumentar a eficiência. Pequenas mudanças de cultura empresarial e layout de armazéns, por exemplo, já podem fazer a diferença nesse resultado.

Utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs)

Para viabilizar efetivamente o modelo de customização em massa, através da manufatura reconfigurável, a gestão da informação é indispensãvel. Esse tópico é especialmente importante porque uma indústria eficiente precisa ser capaz de fornecer informações sobre produtividade e qualidade de produção em tempo real. Isso é útil não apenas para identificar onde estão os erros ou pontos de atenção, mas também corrigi-los. É possível, por exemplo, que uma falha detectada automaticamente por algum equipamento dite a regra de pequenos ajustes para a máquina geradora do defeito, sem a necessidade de intervenção humana. A longo prazo, esse fluxo de informação atingirá também a outra ponta da cadeia, ou seja, o cliente. Será possível saber qual produto teve maior aceitação, quais não caíram no gosto do consumidor e quais padrões deverão ser repetidos para o sucesso em uma própria coleção.

 

Outros tópicos identificados foram:

 

  • Utilização de plataformas de integração business-to-business para integração entre clientes e fornecedores;
  • Utilização de ferramentas de modelagem virtual (body scans);
  • Investimentos em soluções para desenvolvimento e criação;
  • Aplicação de sistemas de planejamento e gestão da qualidade;
  • Desenvolvimento de layouts reconfiguráveis para produção;
  • Incorporação de equipamentos automáticos e semiautomáticos, como impressão em tecidos, cortes, esteiras ou movimentadores aéreos, pregadoras, tampografia, entre outros;
  • Utilização de ferramentas para planejamento, balanceamento e sequenciamento da produção (PCP e APS);
  • Sistemas de rastreabilidade automática, por meio de RFID ou tecnologias semelhantes;
  • Gestão integrada e capacitação contínua dos colaboradores.

Quais resultados práticos foram obtidos?

O principal resultado do projeto foi a geração do roadmap tecnológico que permitirá com que a empresa implemente cada uma das tecnologias de maneira incremental.

Com base nos estudos de viabilidade econômica e retorno de investimento, a empresa poderá priorizar quais inovações serão adotadas e qual o investimento necessário para cada uma delas.

Outro resultado importante, gerado ao final do projeto, foi a disseminação do conceito geral, na forma de um norteamento para as empresas de confecção do futuro no Brasil. Neste sentido, o projeto apontou quais os principais temas de atenção para a manutenção da competitividade do setor no mercado nacional e internacional para os próximos anos.

Quero começar agora mesmo, o que posso fazer?

Antes de começar, o ideal é fazer um estudo para delimitar o caminho que sua empresa deverá traçar. Caso contrário, ações precipitadas podem significar investimentos desnecessários ou a perda de espaço no mercado, devido a problemas urgentes não solucionados. Ou seja, primeiro faça um levantamento de dados da empresa e olhe de forma crítica os processos internos.
Muitas vezes, realizar esta análise é difícil e, para isso, você pode contar com a ajuda especializada. A CERTI possui profissionais capacitados para entender o contexto no qual sua empresa está inserida, avaliar em qual estágio a fábrica está em relação às outras e fazer análises a curto e a longo prazo sobre o que precisa ser feito.

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